A projeção de que, até 2030, quase metade das mulheres entre 25 e 44 anos nos Estados Unidos estará solteira — cenário associado também a uma maior proporção sem filhos — veio de um estudo do Morgan Stanley que estimou 45% de mulheres dessa faixa etária vivendo sem parceiro naquele ano (eram 41% em 2018). O banco relaciona o movimento à maior autonomia econômica, ambições profissionais e mudanças culturais sobre casamento e maternidade. (Morgan Stanley)
Nos EUA, pesquisas recentes do Pew Research mostram que a taxa de fecundidade atingiu um piso histórico em 2023 e que cresce a parcela de mulheres de 25 a 44 anos que nunca tiveram filhos. Além disso, adultos na casa dos 20 e 30 anos hoje planejam ter menos filhos do que no passado. Entre as razões, aparecem a busca por liberdade pessoal, custos de vida e prioridades de carreira. (Pew Research Center)
No Brasil, a curva segue o mesmo sentido. O IBGE registrou que a taxa de fecundidade total caiu para 1,55 filho por mulher em 2022 (abaixo do nível de reposição populacional) e ficou em 1,57 em 2023, confirmando um patamar historicamente baixo. As projeções oficiais indicam também o adiamento da maternidade: a idade média da fecundidade subiu de 26,3 anos (2000) para 28,1 (2022) e deve continuar avançando nas próximas décadas. (Agência de Notícias – IBGE, Agência Brasil)
Especialistas destacam que o fenômeno combina fatores econômicos e sociais: maior escolaridade feminina, inserção no mercado de trabalho, custo de moradia e creche, além de novas expectativas de realização pessoal que não passam necessariamente pela maternidade. Relatórios oficiais projetam que o Brasil atingirá o pico populacional em 2041 e depois encolherá — consequência direta da queda na fecundidade e do envelhecimento. (Agência Gov)
Enquanto para muitas mulheres a escolha de adiar ou não ter filhos representa liberdade e protagonismo, críticos veem desafios às normas culturais e à estrutura tradicional da família. O debate também chega à política pública: ampliar vagas em creches, flexibilizar jornadas, garantir licença parental compartilhada e políticas de renda são caminhos frequentemente citados para permitir que quem deseja ter filhos possa conciliá-los com carreira e qualidade de vida. (Análise própria com base nos dados citados.)
No balanço, a tendência de mais mulheres solteiras e sem filhos não é um modismo passageiro, mas um rearranjo demográfico profundo — já visível nos EUA e nítido no Brasil. Ele redefine consumo, trabalho, moradia e políticas sociais, e reposiciona o papel da mulher no centro das decisões da própria vida. (Morgan Stanley, Pew Research Center, Agência de Notícias – IBGE)
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